Mais importante é ser do que ter

Passei as férias do início do ano com a família no sul da Bahia. Durante uma semana, estivemos nas praias da paradisíaca Porto Seguro. É o destino turístico de milhares de pessoas nos meses de verão brasileiros. Logo, é fácil de perceber tendências de todos os tipos.

Obviamente, neste verão, a maior delas era o bastão para tirar autorretratos, o famoso pau-de-selfie. Centenas podiam ser vistos nas mãos de crianças, jovens e adultos. Naquele mar de estacas de metal içadas em diagonal, me chamou atenção um menino, que aparentava ter menos de 10 anos, que falava a uma mulher mais velha, possivelmente sua mãe:

 – Poxa, bem que a gente podia ter um ‘negócio’ desses também, né?

– Por que? – retrucou a mulher

– Ué, porque todo mundo tem…

A grande revolução do consumo foi a passagem de uma orientação voltada ao produto, por parte das empresas, para aquela voltada ao consumidor e o relacionamento com ele. No primeiro cenário, os produtos eram o foco principal das empresas, o que fazia o vendedor ter papel de destaque no meio profissional. Ele era responsável por, num esforço muitas vezes sobre-humano, girar estoques, desencalhar produtos, fazer os clientes comprarem, mesmo sem precisar daquilo. Até os dias de hoje, vemos empresas que trabalham com o setor de vendas sendo a coisa mais importante da empresa.

No segundo cenário, as coisas se alteraram. Gestores começaram a perceber que empurrar produtos nas pessoas não era a melhor das ações a serem feitas. Este comportamento criava uma arena competitiva muito forte, gastos gritantes em mídia de massa cada vez mais cara, margens de lucros cada vez menores, sacrifício contínuo da qualidade, fuga de bons profissionais e outras disfunções. Notou-se que era muito mais interessante fazer com que o consumidor fosse um amigo das marcas e produtos, e não apenas um comprador delas. Assim, seria muito mais fácil fazer com que as vendas acontecessem, pois teríamos agora verdadeiros relacionamentos com marcas, criando admiradores, amantes e até advogados de marcas e produtos.

Paixão

Então, caímos de cabeça nesse mundo. Tal qual na vida social, somos “apaixonados” por determinados produtos, lojas e marcas. E transmitimos estas paixões adiante, defendendo e compartilhando todas nossas sensações, experiências e desejos. Criou-se, então, uma rede do consumo. E uma rede cada vez mais acelerada, empolgante e, ao mesmo tempo, preocupante e deprimente. Pessoas fazendo de tudo para ter aquele produto, daquelas marcas pelas quais são apaixonadas, não importando os verdadeiros sacrifícios que tinham que ser feitos. É a onda do “viver para consumir”, da compulsão por compras. O marketing, criado com a intenção de promover a satisfação das necessidades das pessoas, agora se torna um buscador incessante de vínculos emocionais que promovem a paixão por determinados produtos.

Qual nosso papel, ante a este cenário? Uma mente pode ser, ao mesmo tempo, consumista e cristã? A psicóloga Ana Beatriz Barbosa Silva, escrevendo sobre o tema no ótimo livro “Mentes Consumistas: do consumismo à compulsão por compras”, indica que as pessoas no presente século estão mais preocupadas com o TER, do que com o SER. E mais: os resultados deste cenário são a falta de altruísmo e o aumento do egoísmo e da inveja, diz a autora.

A fala de uma pesquisadora da sociedade e das pessoas, que nada tem a ver com religião, parece ecoar temas a nós próximos. Quantas vezes lemos sobre a devastação que o consumismo faz com pessoas e famílias? Quantas vezes lemos ou ouvimos as palavras de Cristo em Lucas 12:31-34? Parecem temas esquecidos, ao notar o quanto é necessário TER dentro, inclusive, de nossas fileiras. Quão importante parece ser osmartphone da moda! Ou o carro mais novo! Ou aquela marca de roupas que é super empolgante! Estaríamos também preocupados com o “porque todo mundo tem”?

Quanta diferença do que nos mostrou nosso mestre, quando aqui esteve! Inúmeras situações, principalmente as descritas no livro de Lucas (o qual estudamos na Lição da Escola Sabatina do trimestre 2015.2), mostram Cristo indicando a verdadeira religião para os judeus, como o que é descrito em parábolas como o Bom Samaritano, o Filho Pródigo, Lavradores Maus, do Homem Rico, ou nos seus inúmeros encontros com pessoas de posse e com fariseus. Em nenhum momento, vemos o nosso Senhor indicando o acúmulo de posses como sendo benéfico para a comunhão com Deus e para o relacionamento com o semelhante. Pelo contrário! “Louco (…). Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”, disse Jesus (Lucas 12:20-21). Não é de se pensar?

Sim, é tempo de refletir. A resposta do menino da história que contei no início pode ser, infelizmente, facilmente encontrada entre nós. Não podemos correr o risco de nos enveredarmos por um caminho que nos levará a uma casa cheia e uma religião vazia. Que a importância dada ao TER seja diminuída. Mais importante é SER do que TER!

PARA LER, VER E OUVIR MAIS

Livro “Mentes Consumistas” – De Ana Beatriz Barbosa Silva – http://www.livrariacultura.com.br/p/mentes-consumistas-42273370

Vídeo “O alto preço do materialismo” – Feito no formato “drawing video” pelo The Center of a New American Dream, é um excelente resumo da sociedade baseada em consumo e seus problemas.

Fonte: http://noticias.adventistas.org/pt/

O testemunho dos Valdenses

Por trás de elevadas montanhas, os valdenses encontraram esconderijo e conservaram a luz da verdade.

Ilustração mostrando os Valdenses habitando e pregando nas montanhas mais altas.As montanhas que cingiam os profundos vales eram testemunhas constantes do poder criador de Deus e afirmação sempre infalível de Seu cuidado protetor. Esses peregrinos aprenderam a amar os símbolos silenciosos da presença de Jeová. Não condescendiam com murmurações por causa das dificuldades da sorte; nunca se sentiam abandonados na solidão das montanhas. Agradeciam a Deus por haver provido refúgio da ira e crueldade dos homens. Regozijavam-se diante dEle pela liberdade de prestar culto. Muitas vezes, quando perseguidos pelos inimigos, a fortaleza das montanhas se provara ser defesa segura. De muitos rochedos elevados eles entoavam louvores a Deus e os exércitos de Roma não podiam fazer silenciar seus cânticos de ações de graças.

Os pais, ternos e afetuosos, tão sabiamente amavam os filhos que não permitiam que se habituassem à condescendência própria. Esboçava-se diante deles uma vida de provações e dificuldades, talvez a morte de mártir. Eram ensinados desde a infância a suportar rudezas, a sujeitar-se ao domínio próprio e a pensar e agir por si mesmos. Muito cedo eram ensinados a encarar responsabilidades, a ser precavidos no falar e a compreender a sabedoria do silêncio. Uma palavra indiscreta, que deixassem cair no ouvido dos inimigos, poderia pôr em perigo não somente a vida do que falava, mas a de centenas de seus irmãos; pois, semelhantes a lobos à caça da presa, os inimigos da verdade perseguiam os que ousavam reclamar liberdade para a fé religiosa.

Os valdenses haviam sacrificado a prosperidade temporal por amor à verdade, e com paciência perseverante labutavam para ganhar o pão. Cada recanto de terra cultivável entre as montanhas era cuidadosamente aproveitado. Fazia-se com que os vales e as encostas menos férteis das colinas também produzissem. Enquanto os jovens se habituavam ao trabalho e asperezas, a cultura do intelecto não era negligenciada. A eles era ensinado que todas as suas capacidades pertenciam a Deus, e que deveriam todas ser aperfeiçoadas e desenvolvidas para Seu serviço.

De seus pastores os jovens recebiam instrução. Embora fosse dada atenção aos ramos do conhecimento geral, fazia-se da Escritura Sagrada o estudo principal. Os evangelhos de Mateus e João eram confiados à memória, como muitas das epístolas. Também se ocupavam em copiar as Escrituras. Alguns manuscritos continham a Bíblia inteira, outros apenas breves porções, aos quais algumas simples explicações do texto eram acrescentadas por aqueles que eram capazes de comentar as Escrituras. Assim se apresentavam os tesouros da verdade durante tanto tempo ocultos pelos que procuravam exaltar-se acima de Deus.

O espírito de Cristo é espírito missionário. O primeiro impulso do coração regenerado é levar outros também ao Salvador. Esse foi o espírito dos cristãos valdenses. Compreendiam que

Deus exigia mais deles do que simplesmente preservar a verdade em sua pureza, nas suas próprias igrejas; e que sobre eles repousava a solene responsabilidade de conduzir a luz da verdade aos que viviam em trevas.

Ellen G. White

 

  Ellen G. White
  Autora de O Grande Conflito

 

(Texto extraído de O Grande Confl ito, p. 66-69)

Responsabilidade Social

muitas_maos Ao vermos seres humanos em aflição, seja devido ao infortúnio, seja por causa do pecado ou outra coisa qualquer, nunca diga: “Não tenho nada com isso”.

É necessário que haja sacrifício prático pelo bem-estar de outros, seja onde quer que estejamos, ou qual for nossa profissão; pois para isso também fomos criados, para sermos as mãos bondosas do Criador aqui neste planeta.

Jesus resumiu a lei moral dos dez mandamentos em apenas dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Mateus 22:37-39.

Como cristãos, deveríamos estar atentos às necessidades de nossos semelhantes, buscando sempre uma ocasião oportuna para prestar ajuda.

A pobreza é um mal que aflige a humanidade, e para aqueles que são abençoados e privilegiados, ignorar isso constitui uma contradição entre confissão e conduta. Não podemos realmente louvar ao nosso Criador, de quem todas as bênçãos fluem, ignorando a realidade existente neste mundo de sofrimento e miséria.

O apóstolo Tiago escreveu: “Se um irmão ou irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados de alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso:” Tiago 2:15 e 16.

Ajudar com Amor

A Bíblia revela a grandiosa preocupação de Deus para com os pobres e chega a declarar que a vida eterna alcançada em Jesus é demonstrada por atos de bondade para com os semelhantes.

Jesus pregava, curava e assistia aos pobres. Nosso ministério cristão não deve ser só pregar, mas também atender aos necessitados.

É verdade que não conseguimos eliminar os problemas do mundo, entre eles a pobreza. Mas devemos cumprir nossa responsabilidade social para com os menos afortunados, sendo sensíveis aos efeitos das injustiças na vida dessas pessoas.

Os adventistas procuram atender o conselho de Jesus que, pelo bem que realizou, por Suas palavras de amor e atos de bondade, interpretou o evangelho aos homens.

Além de pregar o evangelho, devemos vivê-lo em nossa relação com os vizinhos, especialmente com os oprimidos e carentes. A obra missionária da Igreja Adventista não se limita a pregar, embora isto exceda tudo o mais. Na realidade, o adventismo prega com suas escolas de diversos níveis, sua indústria de alimentos, seus hospitais e suas faculdades, universidades, etc. É o trabalho prático e positivo de uma igreja que, enquanto espera o fim, não o faz de braços cruzados.

fome no mundo 2009 haiti

Serviço ao Semelhante

Devemos todos ser agentes do “processo de mobilidade social”, isto é, melhorar a qualidade da vida dos indivíduos e das comunidades nas quais vivemos.

Esta consciência de nossa responsabilidade social foi que deu origem a ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) que é reconhecida internacionalmente por seus trabalhos humanitários. A atividade assistencial é permanente, atendendo a vítimas de calamidades e a famílias carentes de alimentos, roupas, remédios, etc.

O papel da Igreja é também atender aos pobres; partilhar com eles aquilo que Deus tem nos dado. Isso é a religião pura.

Deus está chamando pessoas para fazer esta obra. Está você ouvindo Sua voz?

Seja você leitor, as mãos de Deus onde você estiver, e jamais esqueça: “Quando fizestes a um destes pequeninos, a Mim o fizeste.” Mateus 25:40.

Deus o abençoe. São os votos de seus amigos:

Adventistas do Sétimo Dia