Os anjos e você — uma visão panorâmica

A relação do mundo visível com o invisível, o ministério dos anjos de Deus, a operação dos espíritos maus, acham-se claramente revelados nas Escrituras, e inseparavelmente entretecidos com a história humana.

Antes da criação do homem, existiam anjos; pois, quando os fundamentos da Terra foram lançados, “as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam”. Jó 38:7. … Os anjos são, em sua natureza, superiores aos homens. O salmista diz acerca do homem: “Pouco menor o fizeste do que os anjos e de glória e de honra o coroaste.” Salmos 8:5.

O número e poder dos anjos

Estamos informados pelas Escrituras quanto ao número, poder e glória dos seres celestiais, sua relação com o governo de Deus e também com a obra da redenção. “O Senhor tem estabelecido o Seu trono nos Céus, e o Seu reino domina sobre tudo.” Salmos 103:19. E diz o profeta: “Ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono.” Apocalipse 5:11. No salão de recepção do Rei dos reis, assistem eles — como “anjos Seus, magníficos em poder… ministros Seus, que executais o Seu beneplácito”, “obedecendo à voz da Sua palavra”. Salmos 103:20, 21.

Milhares de milhares e milhões de milhões eram os mensageiros celestiais vistos pelo profeta Daniel. O apóstolo Paulo declarou serem “muitos milhares”. Hebreus 12:22. Como mensageiros de Deus, saem “à semelhança dos relâmpagos” (Ezequiel 1:14), tão deslumbrante é sua glória e tão rápido o seu vôo. O anjo que apareceu no túmulo do Salvador, e tinha o rosto “como um relâmpago, e a sua veste branca como a neve”, fez com que os guardas por medo dele tremessem, e ficassem “como mortos”. Mateus 28:3, 4.

Quando Senaqueribe, o altivo assírio, injuriou a Deus e dEle blasfemou, ameaçando Israel de destruição, “sucedeu, pois, que naquela mesma noite, saiu o anjo do Senhor e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles”. 2 Reis 19:35. Ali foram destruídos “todos os varões valentes, e os príncipes, e os chefes”, do exército de Senaqueribe. “E este tornou com vergonha de rosto à sua terra.” 2 Crônicas 32:21.

Os anjos auxiliam os filhos de Deus

Os anjos são enviados em missões de misericórdia aos filhos de Deus. A Abraão, com promessas de bênçãos; às portas de Sodoma, para livrar o justo Ló da condenação do fogo; a Elias, quando se achava a ponto de perecer de cansaço e fome no deserto; a Eliseu, com carros e cavalos de fogo, cercando a pequena cidade em que estava encerrado por seus adversários; a Daniel, enquanto buscava sabedoria divina na corte de um rei pagão, ou abandonado para tornar-se presa dos leões; a Pedro, condenado à morte no calabouço de Herodes; aos prisioneiros em Filipos; a Paulo e seus companheiros na noite da tempestade no mar; ao abrir a mente de Cornélio para receber o evangelho; ao enviar Pedro com a mensagem da salvação ao desconhecido gentio — assim, em todos os tempos, têm os santos anjos ministrado ao povo de Deus.

Assim, ao povo de Deus, exposto ao poder enganador e vigilante malignidade do príncipe das trevas, e em conflito com todas as forças do mal, é assegurada a incessante guarda dos seres celestiais. Tampouco é tal segurança dada sem necessidade. Se Deus concedeu a Seus filhos promessas de graça e proteção, é porque há poderosos agentes do mal a serem enfrentados — agentes numerosos, decididos e incansáveis, de cuja malignidade e poder ninguém pode sem perigo achar-se em ignorância ou inadvertência.

Satanás e os anjos maus

Os espíritos maus, criados a princípio sem pecado, eram iguais, em sua natureza, poder e glória, aos seres santos que ora são os mensageiros de Deus. Mas, caídos pelo pecado, acham-se coligados para a desonra de Deus e destruição dos homens. Unidos com Satanás em sua rebelião, e com ele expulsos do Céu, têm, através de todas as eras que se sucederam, cooperado com ele em sua luta contra a autoridade divina. Somos informados, nas Escrituras, acerca de sua confederação e governo, suas várias ordens, inteligência e astúcia, e de seus maus intuitos contra a paz e felicidade dos homens.

Ninguém se acha em maior perigo da influência dos espíritos maus do que aqueles que, apesar dos testemunhos diretos e amplos das Escrituras, negam a existência e operação do diabo e seus anjos. Enquanto estivermos em ignorância no que respeita a seus ardis, têm eles vantagem quase inconcebível; muitos dão atenção às suas sugestões, supondo, entretanto, estar seguindo os ditames de sua própria sabedoria. É por isto que, aproximando-nos do final do tempo, quando Satanás deverá trabalhar com o máximo poder para enganar e destruir, espalha ele por toda parte a crença de que não existe. É sua política ocultar-se a si mesmo e agir às escondidas.

É porque se mascarou com consumada habilidade, que tão amplamente se faz a pergunta: “Existe realmente tal ser?” Evidencia-se o seu êxito na geral aceitação que obtêm no mundo religioso teorias que negam os testemunhos mais positivos das Escrituras. E é porque Satanás pode muito facilmente dirigir o espírito dos que se acham inconscientes de sua influência, que a Palavra de Deus nos dá tantos exemplos de sua obra maligna, descobrindo aos nossos olhos suas forças secretas, e desta maneira pondo-nos de sobreaviso contra seus assaltos.

Os seguidores de Cristo acham-se seguros

O poder e malignidade de Satanás e seu exército deveriam com razão alarmar-nos, não fosse o caso de podermos encontrar refúgio e livramento no superior poder de nosso Redentor. Pomos cuidadosamente em segurança as nossas casas por meio de ferrolhos e fechaduras, a fim de proteger contra homens maus nossa propriedade e vida; mas raras vezes pensamos nos anjos maus, que constantemente estão a procurar acesso a nós, e contra cujos ataques não temos em nossa própria força método algum de defesa. Se lhes permitirmos, podem transformar-nos o entendimento, perturbar e atormentar-nos o corpo, destruir nossas propriedades e vida. Seu único deleite está na miséria e ruína.

Terrível é a condição dos que resistem às reivindicações divinas, cedendo às tentações de Satanás, até que Deus os abandone ao governo dos espíritos maus. Mas os que seguem a Cristo estão sempre seguros sob Sua proteção. Anjos magníficos em poder são enviados do Céu para protegê-los. O maligno não pode romper a guarda que Deus pôs em redor de Seu povo.

Ellen G.White, A Verdade sobre os Anjos, Capítulo 1.

Fonte: https://setimodia.wordpress.com/

Inspirando confiança em Deus

Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. 1 João 5:4.

Que tipo de fé é a que vence o mundo? É a fé que faz de Cristo seu Salvador pessoal — a fé que, reconhecendo o seu desamparo, sua total incapacidade para salvar a si próprio, se apossa do Ajudador que é poderoso para salvar, como sua única esperança. É a fé que não fica desanimada, que ouve a voz de Cristo dizendo: “‘Tende bom ânimo; Eu venci o mundo’ (João 16:33), e Minha força divina lhe pertence.” É a fé que O ouve dizer: “Eis que estou convosco todos os dias.” Mateus 28:20.

A razão por que as igrejas são fracas, doentias e propensas a morrer, é que o inimigo tem trazido influências de natureza desanimadora a pesar sobre pessoas trêmulas. Ele tem procurado cerrar-lhes os olhos para Jesus, como o Consolador, como Aquele que reprova, que adverte, e que os exorta dizendo: “Este é o caminho, andai por ele.” Isaías 30:21. Cristo tem todo o poder no Céu e na Terra, e Ele pode fortalecer os vacilantes e encaminhar os errantes. Ele pode inspirar-lhes confiança e esperança em Deus; e confiança em Deus sempre resulta em confiança mútua.

Cada indivíduo deve compreender que Cristo é o seu Salvador pessoal; então o amor, o zelo e a firmeza serão manifestos na vida cristã. Por mais clara e convincente que seja a verdade, ela não conseguirá santificar a alma, não conseguirá fortalecê-la e encorajá-la em seus conflitos se não for mantida em contato constante com a vida. Satanás tem alcançado seu maior sucesso ao se interpor entre a pessoa e o Salvador.

Cristo jamais deve ser esquecido. Os anjos disseram a respeito dEle: “E Lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o Seu povo dos pecados deles”. Mateus 1:21. Jesus, precioso Salvador! Certeza, solicitude, segurança e paz, se acham todas nEle. Ele dissipa todas as nossas dúvidas, o penhor de todas as nossas esperanças. Quão precioso é o pensamento de que verdadeiramente podemos tornar-nos participantes da natureza divina, e assim vencer como Cristo venceu! Jesus é a plenitude de nossas expectativas. Ele é a melodia de nossos cânticos, a sombra de uma grande rocha em terra ressecada. Ele é a água viva para a alma sedenta. É o nosso refúgio em meio à tempestade. É a nossa justiça, nossa santificação, nossa redenção. Quando Cristo Se torna nosso Salvador pessoal, exibimos os louvores dAquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.

Cristo morreu porque a lei foi transgredida, e para que o homem culpado pudesse ser salvo da penalidade de sua enorme culpa. Mas a história tem provado que é mais fácil destruir o mundo do que reformá-lo, pois os homens crucificaram o Senhor da Glória, que veio para unir a Terra com o Céu, e o homem com Deus

Ellen G. White, Refletindo a Crfisto, pág. 13.

Fonte: https://setimodia.wordpress.com

O mistério do pecado

Oculto na coluna de nuvens, Cristo deu direções acerca desse amor. Estabeleceu distinta e claramente os princípios do Céu como regras que Seu povo escolhido devia observar em seu trato uns com os outros. Esses princípios viveu Cristo em Sua vida na humanidade. Apresentou em Seus ensinos os motivos que devem governar a vida de Seus seguidores.

Os que partilham do amor de Deus mediante a recepção da verdade, darão testemunho disso fazendo diligentes e abnegados esforços para levar a outros a mensagem do amor de Deus. Tornam-se assim colaboradores de Cristo. O amor a Deus e uns aos outros, une-os com Cristo por cadeias de ouro. Sua vida está ligada com a dEle em santa e elevada união. … Esta união faz com que fluam continuamente abundantes correntes do amor de Cristo aos corações, daí fluindo em amor aos outros.

As qualidades essenciais a todos a fim de conhecerem a Deus, são as que assinalam a inteireza do caráter de Cristo — Seu amor, Sua paciência, abnegação. Esses atributos são cultivados pela prática de atos de bondade com benigno coração.

Ellen G. White, Para Conhecê-lo.

Fonte: https://setimodia.wordpress.com/

O CRIACIONISMO E A EDUCAÇÃO ADVENTISTA

O criacionismo é uma corrente de estudos interdisciplinares que procura explicar a origem da vida e do Universo. Há semelhanças e diferenças entre o criacionismo e as teorias evolucionistas e do design inteligente. As semelhanças com o evolucionismo geralmente dizem respeito à diversificação de baixo nível (ou “microevolução”) e até mesmo à seleção natural, e as maiores diferenças têm que ver com a chamada macro ou megaevolução. Com respeito à teoria do design inteligente, basta dizer que os criacionistas e os defensores daquela teoria buscam evidências de projeto intencional na natureza.
A Rede Educacional Adventista ensina o criacionismo, baseando-se em argumentos científicos e lógicos, sem impor crenças religiosas nem omitir a versão evolucionista. Portanto, o ensino se encontra em harmonia com as prescrições do Ministério da Educação e Cultura. Na definição do físico Urias Takatohi, “criacionismo é o esforço de harmonizar os conhecimentos das ciências históricas, principalmente a geologia e a paleontologia com suas implicações na teoria da evolução biológica, com a visão de inspiração bíblica de que a vida na Terra foi estabelecida por Deus há poucos milhares de anos. Esse esforço se faz para preservar uma interpretação dos primeiros capítulos da Bíblia tão próxima da literal quanto possível, e também por causa do valor atribuído à ciência pelo mundo secularizado de nossos dias”.

A seguir, apresentamos dez razões por que as escolas adventistas ensinam também o criacionismo:

  • O argumento criacionista é coerente com o que se observa nos fósseis encontrados na coluna geológica e diz que a criação deu origem a tipos básicos (“espécies”) de seres vivos e que eles “evoluíram” de forma mais ou menos limitada (diversificação de baixo nível ou “microevolução”). Os criacionistas não creem, no entanto, que todos os seres vivos descendem de um mesmo ancestral unicelular comum, pois é algo que, por experimentação e observação, não é possível ser demonstrado. Cientes das limitações de seu modelo, os criacionistas procuram construir um cenário coerente de sua interpretação da narrativa bíblica com os fósseis e a coluna geológica.
  • O criacionismo apresenta três evidências básicas da existência de um Criador: (1) o ajuste fino do Universo (teleologia), (2) a existência de estruturas irredutivelmente complexas nos seres vivos, que tinham de funcionar perfeitamente desde que foram criadas, ou não chegariam aos nossos dias, e (3) a informação complexa especificada existente no material genético, que só a inteligência pode originar.
  • Os criacionistas entendem que, embora alguns aspectos do evolucionismo sejam fundamentados e úteis para a compreensão de muitos fenômenos naturais, há lacunas nesse modo de pensar. Há alguns pontos no evolucionismo que não são cientificamente sustentáveis e podem ser analisados e apresentados aos estudantes.
  • Atualmente, há vários cientistas criacionistas que fazem boa ciência e apresentam argumentação lógica e importante para ser transmitida. Destacam-se três biólogos norte-americanos: Leonard Brand, Raul Esperante e Harold Coffin. Eles têm artigos publicados nos mais prestigiados periódicos científicos, sobre baleias fossilizadas da Formação Pisco (Peru) e sobre as florestas petrificadas de Yellowstone (EUA). No Brasil, destaca-se o químico e professor da Unicamp, Dr. Marcos Eberlin, que dirige o Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas, é membro da Academia Brasileira de Ciências e o terceiro cientista brasileiro mais citado em publicações científicas de renome.
  • O modelo da evolução apresenta lacunas e deve ser confrontado com outras formas de pensar. Por exemplo, o evolucionismo não consegue explicar a origem da vida por processos naturais a partir de matéria não viva. Também não consegue explicar a origem da informação genética de sistemas irredutivelmente complexos, nem o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais que “surgem” sem formas ancestrais bem definidas.
  • O questionamento dos criacionistas é voltado para alguns pontos do darwinismo e não há nenhum incentivo nem direcionamento a se odiar Darwin – ou qualquer outro ser humano.
  • O ensino criacionista, dentro da Educação Adventista, vai ao encontro do que prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A Lei estabelece que os alunos devem criticar objetivamente as teorias científicas como elaborações humanas de representação aproximada da realidade, e que essas teorias estão sujeitas a revisões e até a descarte, e que o Ensino Médio tem, entre suas finalidades, a de capacitar o educando a continuar aprendendo, a ter autonomia intelectual e pensamento crítico.
  • Conforme escreveu a educadora Ellen White, “é a obra da verdadeira educação desenvolver essa faculdade, preparar os jovens para que sejam pensantes e não meros refletores do pensamento de outros” (Educação, p. 17). Assim, as escolas adventistas entendem que o ensino do contraditório e o contraste de ideias promovem o pensamento crítico. Por isso, são expostos comparativamente nas aulas de ciências os modelos criacionista e evolucionista.
  • O criacionismo bíblico, embora seja filosoficamente embasado no teísmo bíblico, pode ter suas premissas científicas discutidas no contexto científico e ser, assim, considerado em sala de aula. Além disso, atualmente, mais do que em outra época, trata-se de um fenômeno cultural, com muitos defensores, mesmo em países cientificamente avançados como os Estados Unidos. Por isso, o criacionismo merece ser conhecido pelos alunos.
  • Os criadores do método científico, cientistas do quilate de Copérnico, Galileu e Newton, não viam contradição entre a ciência experimental e a religião bíblica. Portanto, os criacionistas de hoje se consideram em boa companhia.

A Educação Adventista tem ao redor do mundo 7.842 instituições, 90 mil professores e mais de 1,8 milhão de estudantes. No Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru e Equador, são 870 estabelecimentos de ensino (incluindo faculdades), 17.886 professores e 292 mil alunos. A Educação Adventista é reconhecida por sua preocupação em oferecer educação de forma integral, privilegiando não apenas o conhecimento técnico, mas o ensino de princípios morais e de uma vida saudável e feliz. É por essas razões que a Rede Adventista proporciona aos estudantes todo o conhecimento necessário para seu desenvolvimento, o que inclui o entendimento tanto do modelo evolucionista quanto do criacionista.

Fonte: http://www.educacaoadventista.org.br

(1866) Resoluções sobre vestuário [06/06]

Em 30 de abril de 1866, a igreja de Battle Creek adotou um conjunto de resoluções sobre vestuário. Os participantes da assembleia da Associação Geral daquele ano apreciaram tanto essas resoluções que votaram adotá-las, fazendo apenas uma pequena alteração no texto do ponto 7 e adicionando um 12º ponto. O texto é o seguinte:

Tendo em vista o presente estado corrupto e corruptor do mundo, e os extremos vergonhosos ao que orgulho e moda estão levando seus adeptos, e o perigo de alguns entre nós, especialmente os jovens, de serem contaminados pela influência e pelo exemplo do mundo à sua volta, nos sentimos constrangidos como igreja a expressar nossos pontos de vista sobre o tema do vestuário nas seguintes resoluções, as quais acreditamos serem verdadeiramente bíblicas. Isso irá recomendar-se ao gosto cristão e julgamento de nossos irmãos e irmãs em qualquer lugar.

 Resoluções:

  • Ponto 1. Cremos, como igreja, que é dever dos nossos membros ser extremamente simples em todas a questões relacionadas ao vestuário.
  • Ponto 2.Consideramos plumas, penas, flores e todos os enfeites supérfluos e somente uma demonstração exterior de um coração vaidoso, e, como tal, não devem ser tolerados em qualquer um de nossos membros.
  • Ponto 3.  Cremos que todas as espécies de ouro, prata, coral, pérola, borracha e joias de cabelo não são apenas elementos totalmente supérfluos, mas estritamente proibidos pelos claros ensinamentos das Escrituras.
  • Ponto 4.Adornos de vestidos. Sustentamos que babados, laços e excessos de fitas, cordões, trança, bordados, botões etc., em aparamento do vestuário são vaidades condenadas pela Bíblia (Isaías 3), e, consequentemente, não devem ser tolerados por “mulheres que professam a piedade”. Por “laços”, entendemos o costume de usar vestidos longos e então ligá-los à saia em intervalos.
  • Ponto 5. Vestidos decotados. Cremos que estes são uma vergonha para a comunidade e um pecado na igreja. E todos os que as usam transgredem de forma vergonhosa o conselho do apóstolo para que “se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso” (1 Timóteo 2:9).
  • Ponto 6. Adornar o cabelo. Cremos que a limpeza e a ornamentação extravagante do cabelo, tão comum nesta época, são condenadas pelo apóstolo (1 Timóteo 2:9). E cremos que os vários frisados e lantejoulas, tal como são usados para conter as deformidades artificiais chamadas “cachoeiras”, “rodas d’água” etc., são as “testeiras” de Isaías 3:18 (margem), que Deus ameaçou tirar no dia da Sua ira.
  • Ponto 7.Defendemos que, em matéria de barbear e tingir a barba, alguns de nossos irmãos mostram uma espécie de vaidade igualmente censurável como o de algumas irmãs em adornar o cabelo. Em todos os casos, eles devem descartar todos os estilos que denotem ar de presunção. Mas, embora não tenhamos objeções ao crescimento da barba em todas as partes do rosto, como a natureza o projetou, cremos que, ao removerem parte da barba, os irmãos erram grandemente na sobriedade cristã em manter bigode ou cavanhaque.
  • Ponto 8.Cremos que não devem ser toleradas as modas exageradas dos dias de hoje, em gorros e chapéus de mulheres; mas que o objetivo principal de se prover um vestuário para a cabeça deve ser cobri-la e protegê-la.
  • Ponto 9.  Cremos que alguns tipos de “argolas são uma vergonha” (Spiritual Gifts, v. 4, p. 68). Por “argolas”, entendemos qualquer coisa do tipo, pelo qual, por causa do seu próprio tamanho ou natureza do material, a forma de se utilizar se encontra susceptível de ser exposta imodestamente (veja Êxodo 20:26).
  • Ponto 10. Roupas caras. Cremos que Paulo usa a expressão “se ataviem com modéstia” (1 Timóteo 2:9) para condenar a obtenção do material mais caro para o vestuário, seja de homens ou de mulheres, para embora esse vestuário possa ser irrepreensível em outros aspectos.
  • Ponto 11. Novas modas. Cremos que o povo de Deus deve ser tardio para adotar novas modas, de qualquer tipo que possam ser. Se determinada moda não for útil, não devemos adotá-la absolutamente. Se a moda for útil, levemos tempo suficiente para adotá-las depois que forem testadas e o entusiasmo de sua inovação tiver passado. Depois de vermos que ela é pura, modesta e conveniente, devemos ser lentos para fazer mudanças (veja Tito 2:14) [18].
  • Ponto 12. Embora condenemos o orgulho e a vaidade como estabelecidas nas resoluções anteriores, igualmente abominamos tudo que é desleixado, negligente, desarrumado e sem limpeza no vestuário ou nos bons modos [19].

Referências:

  1. Vários anos atrás, uma universidade adventista norte-americana patrocinou uma série de palestras sobre a influência metodista no adventismo. Cada palestra concentrou-se em algum tema, como saúde ou vestuário, e mostrou que o metodismo teve influência sobre as crenças e o estilo de vida adventista. A pessoa escolhida para falar sobre o vestuário se sentiu tão desconfortável ao encontrar tantos paralelos entre os escritos de Ellen White e os de Wesley que nunca chegou a proferir a palestra.
  2. Veja, por exemplo a reedição do sermão de Wesley, “On dress”, em Review and Herald, 10 de julho de 1855.
  3. Review and Herald, 22 de maio de 1866.
  4. The Light of the Home, p. 3-4.
  5. Ellen G. White, Testemunhos para a igreja, v. 4, p. 636-637.
  6. Veja Arthur White, Ellen G. White: The Aus­tralian Years, 1891-1900(Washington, DC: Review and Herald, 1983), p. 196-197.
  7. C. Fumas, The Americans: A Social History of the United States, 1587-1914 (Nova York: G. P. Putnam’s Sons, 1969), p. 18-19.
  8. A fotografia está impressa em Arthur White, Ellen G. White: The Early Elmshaven Years, 1900-1905(Washington, DC: Review and Herald, 1981).
  9. “A Female Oracle”, Minneapolis Tribune, 21 de outubro de 1888.
  10. Ellen G. White, Carta 32a, 1891.
  11. Fumas, The Americans, p. 564-569, 757-758; Robert R Roberts, “Popular Culture and Public Taste”, em: The Gilded Age, ed. H. W. Morgan, edição revista e ampliada (Syracuse, New York: Syracuse University Press, 1970), p. 285-286.
  12. Fumas, The Americans, p. 516-517; Roberts, “Popular Culture and Public Taste”, p. 286.
  13. Fumas, The Americans, p. 30, 115-117, 132-137, 183, 184. Veja também Janet Forsyth Fishburn, The Fatherhood of God and the Victorian Family(Filadélfia: Fortress Press, 1981).
  14. Veja Review and Herald, 22 de maio de 1866; Furnas, The Americans, p. 665. A combinação de bigode e cavanhaque foi popularizada por um culto à personalidade centralizada em Napoleão, imperador da França e um importante personagem na política europeia. Os adventistas podem ter reagido à associação do estilo com ele.
  15. Veja, no entanto, o argumento de Thomas Blincoe, em “The Preparation Principle”, Ministry, junho de 1988, p. 6-8. Thomas argumenta que a questão envolvida não é a quantidade de trabalho na limpeza, mas a importância da preparação para o sábado antes de sua chegada.
  16. Ellen G. White, Carta 158, 1902; Carta 263, 1905. Ambas aparecem em Manu­script Releases, v. 1, p. 394-395.
  17. Alguns adventistas talvez se lembrem da discussão sobre flores artificiais que aconteceu durante a década de 1950. Muitos argumentavam que as flores eram aceitáveis (ao contrário da posição do século 19), mas não deveriam ser usadas em reunião campais.
  18. Review and Herald,8 de maio de 1866.
  19. Item acrescentado pela assembleia da Associação Geral de 1866; publicado emReview and Herald, 22 de maio de 1866.

Gerald Wheeler, na época em que escreveu este artigo, era editor-associado de livros na Review and Herald Publishing Association. Atualmente é editor de livros na mesma editora. Ele possui graduação em inglês (Andrews University) e mestrado em biblioteconomia (Universidade de Michigan) e em Antigo Testamento (Andrews University). Wheeler é autor de um livro sobre a história da Igreja Adventista: James White: Innovator and Overcomer (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2003).

Retirado de Gerald Wheeler, “The historical basis of Adventist standards”, Ministry, outubro de 1989, p. 8-12. Disponível em: https://www.ministrymagazine.org/archive/1989/October/the-historical-basis-of-adventist-standards [Inserir hiperlink]

Para estudo mais aprofundado sobre o tema deste artigo, veja: Benjamim McArthur, “Amusing the masses”, em Gary Land, ed., The World of Ellen G. White (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1987), p. 177-191; George R. Knight, Ellen White’s World: A Fascinating Look at the Times in Which She Lived (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1998), p. 130-140.

Referência: Danilo Meira

Como definir nosso estilo de vida [05/06]

O que vemos nesses exemplos é que a compreensão adventista inicial do certo e do errado foi fortemente condicionada pelo aspecto cultural, bem como por fatores de tempo. Devemos sempre aprender, como Ellen White o fez, como selecionar a partir da cultura o que é permanente e útil e rejeitar o efêmero e perigoso. Considere, por exemplo, o que nos referimos como as oito leis de saúde. Elas não foram criadas por Ellen White; estão presentes numa grande variedade de publicações populares daquela época. Tais artigos salientam a necessidade de ar puro, água, exercício, descanso, e assim por diante. Ellen White convocava os adventistas a adotarem essas práticas saudáveis, mas rejeitou a motivação que muitas vezes estava por trás da publicação original deles.

Durante a última parte do século 19, a população branca de classe média sentiu-se ameaçada pelo declínio na taxa de natalidade e uma crescente onda de imigração vinda do sul e leste da Europa. Eles viram o controle político sair de suas mãos. Os autores dos artigos populares sobre saúde compreendiam as oito leis de saúde como um meio de manter as mulheres brancas da classe média em boa saúde para que pudessem ter mais filhos. Eles acreditavam que o futuro da nação literalmente dependia da saúde e da fertilidade das mulheres protestantes anglo-saxãs. Os artigos eram declaradamente racistas [13]. Ellen White era capaz de aceitar a metodologia sem adotar suas pressuposições.

Ela também compartilhou muitas preocupações com o que hoje chamamos de “movimento do Evangelho Social”, como a importância de um movimento de temperança e as vantagens da vida no campo. Mas não aceitou a maioria das conclusões filosóficas desse movimento. Ela poderia responder aos aspectos positivos de sua cultura sem adotar os elementos negativos.

O fato é que o mundo mudou muito desde que nossos primeiros padrões foram estabelecidos, e inconscientemente reconhecemos esse fato pela nossa contínua mudança de várias práticas.

Os adventistas, por exemplo, não mais se preocupam com o “erro” de usar bigodes e barbichas, mesmo que a Associação Geral já tenha tomado posição oficial contra eles [14].

Outro exemplo de um padrão que muitos adventistas entendem que tenha sido alterado por mudanças na sociedade envolve a preparação para o sábado. Ellen White recomendava que se tomasse banho na sexta-feira, mas, nos lugares em que isso não envolve trabalhoso aquecimento de água em fogão a lenha, os adventistas não veem erro algum em tomar banho na manhã de sábado [15]. A ordem específica já não parece ser relevante no mundo ocidental modernizado, embora o princípio absoluto da santidade do sábado e sua observância permaneçam eternos.

A Associação Geral e outras instituições adventistas agora possuem carros e motoristas para o transporte dos visitantes. Mas, em 1902, quando o administrador de um hospital adventista perguntou se a sua instituição deveria obter um automóvel para levar e trazer os pacientes da estação de trem, Ellen White escreveu: “Meu irmão, não faça tal compra”. Ela viu isso como o estabelecimento de um comportamento irresponsável. Contudo, três anos depois, ela andava de carro da estação de trem para um hospital e expressou seu prazer em viajar de automóvel. Em apenas três anos, a situação aparentemente havia mudado [16]. O que era um hábito extravagante rapidamente se tornou uma necessidade.

Todos esses são exemplos de mudanças do estilo de vida adventista que acompanham as circunstâncias.

Como os amish, precisamos de um estilo de vida que nos dê uma identidade, que nos una como povo. Mas ele deve ser uma cerca que proteja o rebanho de Deus, e não uma barreira que exclui da sociedade ou nos separa em facções hostis. Nosso estilo de vida deve se basear em princípios bíblicos que atendam a todos os tempos e culturas, em vez de simplesmente se opor a certas práticas norte-americanas vitorianas do século 19. E devemos reconhecer que uma prática que é um perigo simbólico num contexto cultural pode perder importância com o tempo, à medida que o contexto cultural é transformado. Uma flor artificial que representa status de classe em um tempo e lugar pode ser nada mais que uma decoração inofensiva em outro [17].

Se não estabelecermos um conjunto apropriado de tais normais, que seja sensível às mudanças de acordo com as condições, poderemos nos tornar nada mais que uma curiosidade histórica, como os amish.

Referência: Danilo Meira

Evitando a percepção de classe [04/06]

Em um livro fascinante intitulado The Light of the Home: An Intimate View of the Lives of Women in Victorian America (A luz do lar: uma visão íntima da vida das mulheres na América vitoriana), Harvey Green e E. Mary Perry comparam o comportamento e os padrões das classes mais baixas, média e alta em uma série de tendências que estavam remodelando a sociedade norte-americana do século 19. Muitas dessas tendências envolvem a urgência com que os norte-americanos queriam ser reconhecidos como parte da classe média emergente. E, nessa luta por reconhecimento, podemos ver a origem de certos padrões adventistas.

Os adventistas norte-americanos do século 19 eram tentados a adotar cada nova moda e fazer tudo o que podiam para se identificar com a classe média. Nos pontos em que Green e Perry discutem temas específicos sobre os quais Ellen White escreveu, é significativo que a atitude da Sra. White normalmente se posicionava ora na classe baixa ora na classe alta, ou quase sempre se posicionava contra a atitude de classe média. Por quê? Talvez porque ela temesse que os adventistas, por entusiasmo de subir a bordo do movimento da classe média, perdessem sua identidade e eficácia especial.

Isso explica por que Ellen White foi contra as bicicletas quando eram um símbolo caro de identificação com a classe média, mas, quando se tornou um meio de transporte pessoal, deixou de advertir contra elas. Aparentemente Ellen White estava preocupada em proteger a identidade adventista, evitando a vaidade e o desperdício de dinheiro. Mas, como o papel da bicicleta na sociedade mudou, a reação dela também mudou.

Da mesma forma, a Sra. White foi contra o espartilho por razões de saúde e porque ele era visto como símbolo de riqueza e aristocracia. Qualquer mulher, ao usar esse vestuário, limitava-se fisicamente. Além disso, tinha um marido com dinheiro suficiente para contratar funcionários para fazer o trabalho doméstico que ela não podia fazer [4].

Em determinada época, Ellen White propôs um estilo de vestuário das mulheres como mais saudável e como forma de protesto contra o poder do orgulho de classe e da vaidade pessoal. Mas sua reforma do vestuário não é relevante hoje, porque já não simboliza um protesto contra o estilo insalubre e socialmente arrogante. Posteriormente, Ellen White declarou que o vestuário não devia ser um teste de comunhão, ou seja, uma exigência para ser membro da igreja [5]. Ao tomar tal posição, ela contrariou o conceito adventista inicial de que tudo na vida era um teste.

Os adventistas, como outros grupos conservadores, se opunham a tudo o que tivesse origem pagã. Por exemplo, evitavam chamar os dias da semana pelo nome porque os nomes foram derivados de deuses pagãos. [Isso se aplica aos nomes em inglês. Por exemplo: segunda-feira é Monday, “dia da (deusa) Lua”; quinta-feira é Thurday, “dia de Thor”, um  deus nórdico.] Por muitos anos o periódico oficial da igreja, Review and Her­ald, se referiu aos dias da semana como “primeiro dia”, “segundo dia” etc. Atualmente, a origem pagã dos nomes dos dias da semana é apenas uma curiosidade cultural. Poucos veriam isso como uma ameaça à identidade cristã ou adventista.

Não usar aliança de casamento também já foi um símbolo de identificação com a Igreja Adventista nos Estados Unidos. Essa era uma etapa preparatória para o batismo. No entanto, quer queiramos ou não, a revolução sexual dos anos 70 e a tolerância da sociedade à promiscuidade removeram essa proibição simbólica. Com isso, foi reafirmado o simbolismo muito mais antigo da aliança como indicação de compromisso conjugal.

O fato de que a proibição da aliança nunca foi uma norma adventista mundial também é significativo para a nossa compreensão do estilo de vida adventista. A australiana May Lacey, quando se casou com William, filho de Ellen White, usou aliança em seu casamento por causa do simbolismo que tinha em seu país. E Ellen apoiou a decisão da nora. Mas, quando foi viver nos Estados Unidos, May White parou de usar aliança, pois tinha se mudado de uma cultura que a usava como símbolo de compromisso, para outra em que muitos não a usavam e nem identificavam isso com a fé adventista [6].

Na América vitoriana, a “simples e pesada” aliança de casamento era o símbolo de reconhecimento do casamento na classe média. Os homens geralmente não usavam aliança [7]. É provável que parte do motivo para a posição de Ellen White era que os adventistas evitassem as armadilhas de status da classe média.

Em 1905, a Sra. White posou para um retrato de família, que incluiu sua neta Ella White Robinson. Ella estava ao lado do marido e usava uma corrente de metal no pescoço, bem como uma corrente de relógio pesada no colete [8]. Oito anos mais tarde, a Sra. White novamente posou com sua neta. Desta vez, Ella estava usando várias vertentes de um colar de concha que, segundo Alta Robinson (cunhada de Ella e membro da equipe do Patrimônio Literário de Ellen G. White), a própria Ellen White tinha trazido para sua neta como presente das ilhas do Havaí. Contudo, ainda mais interessante é que, segundo uma testemunha ocular contemporânea da Sra. White, ao  falar na assembleia de 1888, em Mineápolis  ela usava “um vestido preto em linha reta, sem nada para quebrar a sobriedade, salvo um colar branco minúsculo em seu pescoço e uma pesada corrente metálica que pendia suspenso perto de sua cintura” [9]. Essa corrente sem dúvida era um acessório, um elemento puramente decorativo de seu traje. Em outras palavras, um item de adorno.

Uma análise das fotografias de Ellen White revela que ela gostava de usar pinos e broches. Veja, por exemplo, o artigo “Heirloom: Leaves From Ellen White’s Family Album” (Heirloom: páginas do álbum da família de Ellen White), na edição de primavera de 1982 da revista Adventist Heritage. Ela usava pinos sobre seu vestido ou para fixar juntos o seu colar. Quando visitou o Havaí, uma mulher lhe deu material de seda, um lenço de seda e um pino de pedras brancas que custavam 10 dólares, um bom pagamento de uma semana na época. A primeira reação de Ellen White foi não aceitar os presentes, mas, vendo que isso iria decepcionar a mulher, ela tomou e usou depois. Repetindo a perspectiva de John Wesley, ela escreveu que era “muito simples e útil” e “nem um pouco pomposo” [10]. Para Ellen White, simplicidade e modéstia não excluía adorno, se tal adorno não apelasse para a vaidade pessoal ou percepção de classe.

Ellen-G.White-and-her-family-in-1913_Outro padrão que tem sido fortemente mantido pelos adventistas, pelo menos até recentemente, tem a ver com o teatro. Ellen White tem algumas declarações pesadas sobre teatros, e ela parece ser contrária ao drama sério. Mas é preciso considerar o contexto histórico de sua oposição. O drama sério, como nós conhecemos hoje, simplesmente não existia nos Estados Unidos do século 19. O teatro consistia de peças melodramáticas intercaladas com “um primeiro ato, precedido e seguido de partes com animações, nas quais geralmente mulheres usavam calções curtos e mostravam licenciosidade e palhaçadas”. Sempre que possível, os produtores das peças traziam muitas mulheres que vestiam calças apertadas ou outro tipo de roupa mínima. Um ator britânico disse que, no teatro norte-americano, “a modéstia não parece ser uma qualidade necessária em uma atriz”.

Teatros eram geralmente agrupados entre salões de bilhar, bares “e outros refúgios para os libertinos e desocupados”. O público muitas vezes consistia de arruaceiros de rua e prostitutas e outros clientes em potencial. Assim, o teatro tinha uma merecida reputação ruim. Não foi até o fim do século 19 que peças começaram a ser apresentadas sem as atrações musicais e outros atos [11].

Outra forma importante do teatro era o menestrel que mostrava atores brancos com rostos pintados de preto apresentando estereótipos raciais cruéis. Eles eram tão populares que um drama sério não poderia competir com eles [12].

Levando esses fatores em consideração, parece-me que seria errado descartar categoricamente a leitura ou a encenação do drama sério sem considerar o contexto histórico e entender por que os primeiros adventistas eram contra o teatro.

Referência: Danilo Meira