O Resumo da Lei

“E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” Mateus 22:35-40

http:

Nossos queridos irmãos pentecostais e evangélicos de todos os segmentos creem que o decálogo como está em Êxodo 20 foi substituído por Jesus quando o doutor da lei O interrogou querendo saber qual era o maior mandamento da lei de Deus. Porém, quantos de nós já pararam para analisar o que estes textos querem realmente dizer? A primeira coisa que precisamos notar é que a base de todos os escritores do Novo Testamento era o Velho Testamento, e Jesus também seguia esse princípio. Um exemplo muito claro disso está registrado no capítulo 24 de Lucas, especialmente nos versos 25 a 27, quando Jesus explicou para os dois discípulos o que constava do Messias em todas as Escrituras, começando por Moisés e passando por todos os profetas. Ou seja, a base ali foi a Bíblia, a única que eles possuíam e que era o Velho Testamento, por isso nós vamos seguir esse mesmo princípio, vamos tomar como base o que foi escrito no VT para entender o que Jesus disse no NT.

O doutor da lei que interrogou a Jesus era um dos fariseus, como os outros escribas. Ele era perito nas leis civis e religiosas do judaísmo. Diferente dos outros fariseus que tinham a intenção de tentar a Jesus, talvez para achar alguma falta nEle, esse doutor da lei parece ter sido honrado e sincero em sua abordagem do assunto.

Embora a pergunta do doutor da lei tivesse que ver com princípios fundamentais e morais, provavelmente ele formulou a pergunta com a intenção de colocar todos os itens do decálogo em ordem de importância. Caso ocorresse de dois mandamentos aparentemente entrarem em conflito, o pensamento judaico supunha que o mandamento maior, ou o mais importante teria prioridade para ser observado, e se fosse o caso, o item menor da lei poderia ser negligenciado e a pessoa estaria isenta de responsabilidade se viesse a violar o mandamento menor. Perceba a pergunta do interprete da lei: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?” Ele literalmente perguntou a Jesus se havia na Lei de Deus, dentre os dez mandamentos de Êxodo 20, algum que fosse maior que os outros. Oras, se havia algum mandamento da lei que fosse maior que outros, logicamente haveria algum mandamento que fosse menor.

Os fariseus exaltavam os quatro primeiros mandamentos do decálogo e os consideravam de maior importância do que os outros seis, por isso eles fracassavam na religião prática.

A resposta de Jesus foi surpreendente!

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

Agora, eu, com minha mente humana, finita, com minha racionalidade, leio isto e tento comparar com o Decálogo e chego à seguinte conclusão: “Esse mandamento não se encontra nos dez de Êxodo 20, logo Jesus só pode estar fazendo uma substituição da lei, ou seja, aquela lei não serve mais, agora é um outro mandamento que está em vigor.”

Eu te pergunto querido leitor. É um mandamento novo isso que Jesus disse? Lembre-se, a base para o Novo Testamento é o Velho Testamento. Leia o que diz em Deuteronômio 6:5 – “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”

Isso não te parece familiar? Repare que no começo do capítulo 6 de Deuteronômio, na abertura do capítulo, Moisés começa dizendo que “esses são os mandamentos que o  Senhor ordenou que fossem ensinados…”. Perceba querido amigo, amar a Deus sobre todas as coisas não é um mandamento novo, é um mandamento que está no Velho Testamento. Jesus apenas citou o que Moisés já havia dito. Ao enumerar as três dimensões do ser humano, Cristo estava ensinando que se o amor de Deus é real na vida da pessoa, esse amor irá preencher todos os aspectos do ser e da vida, transbordando inclusive esse amor para as pessoas ao nosso redor. Foi por isso que Jesus disse que o segundo grande mandamento, semelhante ao primeiro era que devíamos amar ao nosso próximo como a nós mesmos. E isso também está no Velho Testamento.

Leia comigo Levítico 19:18 – “Não te vingarás, ne guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.”

Esses dois mandamentos são semelhantes porque eles se apoiam no mesmo princípio: o amor, e os dois demandam atenção e cooperação de todas as partes do ser. A lei de amor a Deus não era nova. Tanto não era nova que o profeta Miqueias também faz um breve resumo da lei de Deus no capítulo 6:8 quando diz: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.” Jesus, em Mateus 22 unificou essas duas ideias que constituem a base da ética cristã.

A tendência natural do homem é a de colocar a si mesmo em primeiro lugar, não importa quais sejam suas obrigações para com Deus e seus semelhantes. Para ser totalmente abnegado no trato com os semelhantes, deve-se amar em primeiro lugar a Deus de maneira suprema. Este é o fundamento de toda conduta correta.

Porém isso tudo é simplesmente um resumo de algo que Deus já havia dito antes. E onde Ele disse isso antes? Oras, em Êxodo capítulo 20, nos dez mandamentos. Vamos dar uma conferida?

                O primeiro mandamento diz: “Não terás outros deuses diante de Mim”. Quando eu amo e honro a Deus acima de qualquer coisa e não coloco nada em meu coração acima de Deus, eu estou amando a Deus sobre todas as coisas? Sim ou não? Logicamente que sim.

                O segundo mandamento diz: “Não farás para ti imagens de escultura; não as adorarás”. Quando eu não me prostro diante de um objeto com a finalidade de lhe prestar culto, reverencia ou adoração e tenho essa atitude somente para com Deus, eu estou amando a Deus sobre todas as coisas? A resposta é sim.

                O terceiro mandamento diz: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”. Quando eu tomo o cuidado de não pronunciar em vão o nome de Deus, não envolvendo seu santo nome em piadas nem o pronunciando sem necessidade, eu estou amando a Deus sobre todas as coisas? Sim.

                O quarto mandamento diz: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar”. Quando eu me lembro que Deus separou um dia para que toda a humanidade pudesse descansar e gozar de sua santa presença durante 24 horas desse dia e realmente faço isso, eu paro nesse dia, o sétimo dia da semana, o dia que Deus escolheu, eu estou amando a Deus sobre todas as coisas? Sim, claro.

                Muito bem, os quatro primeiro mandamentos se referem à veneração, ao respeito e a atitude de adoração que temos que ter para com Deus. Quando Jesus disse em Mateus 22 que devemos amar a Deus sobre todas as coisas, significava isso que agora não precisaria mais observar nenhum desses quatro mandamentos? Isso seria uma incoerência gigantesca, pois se os quatro primeiro mandamentos querem dizer exatamente isso, esse pensamento comum no meio cristão hoje em dia não tem um pingo de lógica.

                Vejamos agora os outros seis mandamentos que dizem respeito ao nosso próximo.

                O quinto mandamento diz: “Honra teu pai e tua mãe para que se prolongue os teus dias na Terra”. O princípio deste mandamento diz que devemos respeitar as autoridades, e a primeira autoridade que um pessoa conhece na vida são seus pais. Quando eu cumpro esse mandamento, eu estou amando ao meu próximo como a mim mesmo? Com certeza sim.

                O sexto mandamento diz: “Não matarás”. Quando eu cumpro esse mandamento, eu estou amando ao meu próximo como a mim mesmo? Claro que sim.

                O sétimo mandamento diz: “Não adulterarás”. Quando eu cumpro esse mandamento, eu estou amando ao meu próximo como a mim mesmo? Sim.

                O oitavo mandamento diz: “Não furtarás”. Quando eu cumpro esse mandamento, eu estou amando ao meu próximo como a mim mesmo? O que você acha? Com certeza estou amando ao meu próximo como a mim mesmo.

                O nono mandamento diz: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Quando eu cumpro esse mandamento, eu estou amando ao meu próximo como a mim mesmo? Sim.

                E por último e não menos importante, o décimo mandamento diz: “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo […]”. Quando eu cumpro esse mandamento, eu estou amando ao meu próximo como a mim mesmo? Sim é claro.

                Estes seis mandamentos, como já dissemos, diz que temos que amar ao nosso próximo como a nós mesmos, por isso Jesus disse: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Porque Jesus disse isso, significa que agora eu posso matar, roubar adulterar, mentir, etc… Lógico que não, pois se eu anular esses mandamentos, se eu disser que eles já não servem mais, eu não estarei amando ao meu próximo como Jesus ordenou. E quanta incoerência vemos nessa atitude de deixar de lado o decálogo, dizer que ele foi substituído por algo que Jesus disse, sendo que o que Ele disse quer dizer exatamente o que está escrito nos dez mandamentos. Querido amigo leitor, se você em algum momento acreditou nessa incoerência, ore a Deus, peça a ajuda do Espírito Santo para que você possa ter a coragem de estudar mais profundamente sobre a Lei de Deus e tomar a atitude de não mais deixar de lado aquilo que Deus disse em sua palavra devemos fazer. Um forte abraço e até a próxima postagem.

Anúncios

Especialistas discutem tecnologias para levar a Bíblia a lugares distantes

Ideias arrojadas estão sendo apresentadas no evento que termina nesse domingo nos EUA

Silver Spring, EUA … [ASN] “A compreensão precede a ação”. A frase do CEO da companhia de café Starbucks, Howard Schultz, foi usada por Jerry Chase para definir a importância do conhecimento geográfico para obter sucesso, seja numa empresa ou numa congregação local.

A palestra de Chase, que é pastor no estado americano de Ohio, foi transmitida no segundo dia doGAIN (Global Adventist Internet Network), principal fórum de internet, tecnologia e evangelismo da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Pela primeira vez o evento, realizado em parceria com as 13 regiões mundiais da denominação, é online.

A primeira experiência do Gain online foi de 3860 visitantes de 106 nações, com um total de 8816 views. O Brasil foi o país que mais acessou. As cinco primeiras nações foram: Brasil (2748), EUA (1191), México (355), Peru (128) e Argentina (119).

Chase usou o exemplo da Starbucks no uso efetivo do software GIS (Sistema de Informação Geográfico) para abrir lojas em locais estratégicos. A ação foi fundamental para revitalizar a empresa, inclusive na utilização de informações climáticas. Em dias de frio e chuva, houve maior oferecimento de bebidas quentes e, nos dias de maior calor, de bebidas frias. Atitudes que fizeram a diferença.

Chase disse que o GIS pode similarmente ajudar a Igreja a entender como e onde vivem seus fieis e definir áreas carentes de presença adventista. O conceito é simples, mas a utilização de ferramentas que mapeiem o território que se quer alcançar para levar os ensinos de Cristo ou ofereça dados daqueles em que já há presença adventista, pode ser fundamental.

Chase contou que a Igreja Adventista do Sétimo tem usado o GIS em diversas ocasiões. Mencionou, por exemplo, o ministério Adventist Frontier Mission, que usou o programa para localizar regiões não alcançadas na Tailândia. O resultado foi o estabelecimento de uma congregação adventista no norte de Khmer e de uma rádio adventista.

Após a apresentação, o momento de discussão trouxe ideias como o uso do programa Excel (Microsoft) para mapear uma congregação local, para que, conectadas, as pessoas ajudem a tomar decisões.

Ação prática nas igrejas

Segundo os apresentadores, conhecendo melhor as características geográficas e outros dados relevantes, os anciãos (líderes leigos que ajudam a dirigir as congregações locais adventistas) podem ver onde moram os membros. A partir daí, têm melhores condições de tomar decisões para unir as pessoas e conseguir ótimos resultados.

Os dados coletados podem incluir características de envolvimento com a missão ou não, qualidades e habilidades. O teólogo citou que os dados mostram coisas até então invisíveis, como regiões onde há muitos ou poucos pastores, adventistas ou não, proximidade de moradia dos fiéis e muito mais. O mapa leva a mais perguntas e questões, fazendo as pessoas refletirem mais.

O projeto Josué foi usado como exemplo. Por meio de satélite, necessidades especiais de oração são detectadas.

De acordo com Chase, “tem havido uma crescente coalizão de líderes adventistas das áreas de tecnologia, missão global e comunicação trabalhando na direção de conectar dados para auxiliar na tomada de importantes decisões”.

Um participante da conferência na Venezuela disse já ter usado o GIS para mapear estratégias locais para reuniões de pequenos grupos.

Participantes de mais de 60 países estão enviando questões para as discussões ao vivo através de Twitter e Facebook, usando a hashtag #GAiN15.

Como construir um App?

Outra palestra do dia foi sobre como construir um aplicativo (programa) para celular. Harvey Alférez, professor na Escola de Engenharia e Tecnologia na Universidade de Montemorelos, no Mexico, ministrou a aula.

Alférez relembrou que, como adventistas, temos uma missão bem definida: “proclamar as três mensagens angélicas”. E a tecnologia, ressaltou, “existe para isso, alcançar pessoas”. No mundo de mais de 7 bilhões de pessoas, 6 bilhões têm acesso a celulares.

Ao explicar o processo de construção de um aplicativo, destacou que deve haver uma boa, atrativa e interessante ideia. Quando os participantes perguntaram o que vem primeiro: “o site ou o aplicativo?”, os panelistas ressaltaram que, dependendo do conteúdo, a website vem primeiro e ajuda a criar o tipo ideal de aplicativo.

Há que se definir qual o diferencial, propor soluções, criar tela funcional e boa navegabilidade.

Para concluir, Alférez propôs colocar a ideia no papel, concretizar a ação e ficar de olho na reação das pessoas, para sempre melhorar o projeto. Um aplicativo pode ser utilizado para evangelizar e ajudar uma igreja local em suas necessidades.

GAIN termina nesse domingo

O evento online, que começou na quarta-feira (11), vai até hoje (15). A primeira palestra foi da chefe do escritório de informação da sede mundial da Igreja Adventista, Nancy Lamoreaux. Ela falou sobre a ordem de Cristo, de “ir e fazer discípulos de todas as nações”, no contexto do uso das novas tecnologias para espalhar as boas novas.

Para o gerente de estratégias digitais da web da Igreja Adventista na América do Sul, Rogério Ferraz, “o evento é uma grande oportunidade de promover a unidade no âmbito de comunicação e tecnologia, e também de motivar fiéis no uso de técnicas inovadoras para salvar pessoas”. Para Ferraz, o GAIN mostra que todos têm lugar na pregação online.

Capacitação online

Além da transmissão desta sexta, o evento ainda vai tratar de engajamento interativo, orçamento e cryptocurrency (ou moeda crypto).

Nesse sábado, 14, foi veiculado um culto com pregação do diretor mundial de comunicação da Igreja Adventista do Sétimo Dia, pastor Williams Costa Júnior. O título do sermão foi  Tecnologia e Revelação.

O líder demonstrou imensa alegria pela participação de internautas de mais de 60 nações, como Israel, México, Romênia, França, Equador, Angola, Cuba, Coreia do Sul, Paraguai, Argentina e Brasil. “É maravilhoso que daqui podemos capacitar e motivar pessoas de várias partes do planeta”, comemorou Costa Júnior.

Uma equipe de mais de 30 pessoas está trabalhando na décima primeira edição do GAIN, realizada na sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Silver Spring.

O evento é transmitido em quatro idiomas: inglês, português, espanhol e francês, e em três diferentes horários. No Brasil, às 9 horas, 15 horas e 22 horas.

Links:

Português:  http://gain.adventist.org/2015/live.pt.html

Espanhol:  http://gain.adventist.org/2015/live.es.html

Inglês:  http://gain.adventist.org/2015/live.en.html

Francês:  http://gain.adventist.org/2015/live.fr.html

[Equipe ASN, Márcio Basso com informações da ANN]

Fonte: http://noticias.adventistas.org

O CRIACIONISMO E A EDUCAÇÃO ADVENTISTA

O criacionismo é uma corrente de estudos interdisciplinares que procura explicar a origem da vida e do Universo. Há semelhanças e diferenças entre o criacionismo e as teorias evolucionistas e do design inteligente. As semelhanças com o evolucionismo geralmente dizem respeito à diversificação de baixo nível (ou “microevolução”) e até mesmo à seleção natural, e as maiores diferenças têm que ver com a chamada macro ou megaevolução. Com respeito à teoria do design inteligente, basta dizer que os criacionistas e os defensores daquela teoria buscam evidências de projeto intencional na natureza.
A Rede Educacional Adventista ensina o criacionismo, baseando-se em argumentos científicos e lógicos, sem impor crenças religiosas nem omitir a versão evolucionista. Portanto, o ensino se encontra em harmonia com as prescrições do Ministério da Educação e Cultura. Na definição do físico Urias Takatohi, “criacionismo é o esforço de harmonizar os conhecimentos das ciências históricas, principalmente a geologia e a paleontologia com suas implicações na teoria da evolução biológica, com a visão de inspiração bíblica de que a vida na Terra foi estabelecida por Deus há poucos milhares de anos. Esse esforço se faz para preservar uma interpretação dos primeiros capítulos da Bíblia tão próxima da literal quanto possível, e também por causa do valor atribuído à ciência pelo mundo secularizado de nossos dias”.

A seguir, apresentamos dez razões por que as escolas adventistas ensinam também o criacionismo:

  • O argumento criacionista é coerente com o que se observa nos fósseis encontrados na coluna geológica e diz que a criação deu origem a tipos básicos (“espécies”) de seres vivos e que eles “evoluíram” de forma mais ou menos limitada (diversificação de baixo nível ou “microevolução”). Os criacionistas não creem, no entanto, que todos os seres vivos descendem de um mesmo ancestral unicelular comum, pois é algo que, por experimentação e observação, não é possível ser demonstrado. Cientes das limitações de seu modelo, os criacionistas procuram construir um cenário coerente de sua interpretação da narrativa bíblica com os fósseis e a coluna geológica.
  • O criacionismo apresenta três evidências básicas da existência de um Criador: (1) o ajuste fino do Universo (teleologia), (2) a existência de estruturas irredutivelmente complexas nos seres vivos, que tinham de funcionar perfeitamente desde que foram criadas, ou não chegariam aos nossos dias, e (3) a informação complexa especificada existente no material genético, que só a inteligência pode originar.
  • Os criacionistas entendem que, embora alguns aspectos do evolucionismo sejam fundamentados e úteis para a compreensão de muitos fenômenos naturais, há lacunas nesse modo de pensar. Há alguns pontos no evolucionismo que não são cientificamente sustentáveis e podem ser analisados e apresentados aos estudantes.
  • Atualmente, há vários cientistas criacionistas que fazem boa ciência e apresentam argumentação lógica e importante para ser transmitida. Destacam-se três biólogos norte-americanos: Leonard Brand, Raul Esperante e Harold Coffin. Eles têm artigos publicados nos mais prestigiados periódicos científicos, sobre baleias fossilizadas da Formação Pisco (Peru) e sobre as florestas petrificadas de Yellowstone (EUA). No Brasil, destaca-se o químico e professor da Unicamp, Dr. Marcos Eberlin, que dirige o Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas, é membro da Academia Brasileira de Ciências e o terceiro cientista brasileiro mais citado em publicações científicas de renome.
  • O modelo da evolução apresenta lacunas e deve ser confrontado com outras formas de pensar. Por exemplo, o evolucionismo não consegue explicar a origem da vida por processos naturais a partir de matéria não viva. Também não consegue explicar a origem da informação genética de sistemas irredutivelmente complexos, nem o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais que “surgem” sem formas ancestrais bem definidas.
  • O questionamento dos criacionistas é voltado para alguns pontos do darwinismo e não há nenhum incentivo nem direcionamento a se odiar Darwin – ou qualquer outro ser humano.
  • O ensino criacionista, dentro da Educação Adventista, vai ao encontro do que prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A Lei estabelece que os alunos devem criticar objetivamente as teorias científicas como elaborações humanas de representação aproximada da realidade, e que essas teorias estão sujeitas a revisões e até a descarte, e que o Ensino Médio tem, entre suas finalidades, a de capacitar o educando a continuar aprendendo, a ter autonomia intelectual e pensamento crítico.
  • Conforme escreveu a educadora Ellen White, “é a obra da verdadeira educação desenvolver essa faculdade, preparar os jovens para que sejam pensantes e não meros refletores do pensamento de outros” (Educação, p. 17). Assim, as escolas adventistas entendem que o ensino do contraditório e o contraste de ideias promovem o pensamento crítico. Por isso, são expostos comparativamente nas aulas de ciências os modelos criacionista e evolucionista.
  • O criacionismo bíblico, embora seja filosoficamente embasado no teísmo bíblico, pode ter suas premissas científicas discutidas no contexto científico e ser, assim, considerado em sala de aula. Além disso, atualmente, mais do que em outra época, trata-se de um fenômeno cultural, com muitos defensores, mesmo em países cientificamente avançados como os Estados Unidos. Por isso, o criacionismo merece ser conhecido pelos alunos.
  • Os criadores do método científico, cientistas do quilate de Copérnico, Galileu e Newton, não viam contradição entre a ciência experimental e a religião bíblica. Portanto, os criacionistas de hoje se consideram em boa companhia.

A Educação Adventista tem ao redor do mundo 7.842 instituições, 90 mil professores e mais de 1,8 milhão de estudantes. No Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru e Equador, são 870 estabelecimentos de ensino (incluindo faculdades), 17.886 professores e 292 mil alunos. A Educação Adventista é reconhecida por sua preocupação em oferecer educação de forma integral, privilegiando não apenas o conhecimento técnico, mas o ensino de princípios morais e de uma vida saudável e feliz. É por essas razões que a Rede Adventista proporciona aos estudantes todo o conhecimento necessário para seu desenvolvimento, o que inclui o entendimento tanto do modelo evolucionista quanto do criacionista.

Fonte: http://www.educacaoadventista.org.br

(1866) Resoluções sobre vestuário [06/06]

Em 30 de abril de 1866, a igreja de Battle Creek adotou um conjunto de resoluções sobre vestuário. Os participantes da assembleia da Associação Geral daquele ano apreciaram tanto essas resoluções que votaram adotá-las, fazendo apenas uma pequena alteração no texto do ponto 7 e adicionando um 12º ponto. O texto é o seguinte:

Tendo em vista o presente estado corrupto e corruptor do mundo, e os extremos vergonhosos ao que orgulho e moda estão levando seus adeptos, e o perigo de alguns entre nós, especialmente os jovens, de serem contaminados pela influência e pelo exemplo do mundo à sua volta, nos sentimos constrangidos como igreja a expressar nossos pontos de vista sobre o tema do vestuário nas seguintes resoluções, as quais acreditamos serem verdadeiramente bíblicas. Isso irá recomendar-se ao gosto cristão e julgamento de nossos irmãos e irmãs em qualquer lugar.

 Resoluções:

  • Ponto 1. Cremos, como igreja, que é dever dos nossos membros ser extremamente simples em todas a questões relacionadas ao vestuário.
  • Ponto 2.Consideramos plumas, penas, flores e todos os enfeites supérfluos e somente uma demonstração exterior de um coração vaidoso, e, como tal, não devem ser tolerados em qualquer um de nossos membros.
  • Ponto 3.  Cremos que todas as espécies de ouro, prata, coral, pérola, borracha e joias de cabelo não são apenas elementos totalmente supérfluos, mas estritamente proibidos pelos claros ensinamentos das Escrituras.
  • Ponto 4.Adornos de vestidos. Sustentamos que babados, laços e excessos de fitas, cordões, trança, bordados, botões etc., em aparamento do vestuário são vaidades condenadas pela Bíblia (Isaías 3), e, consequentemente, não devem ser tolerados por “mulheres que professam a piedade”. Por “laços”, entendemos o costume de usar vestidos longos e então ligá-los à saia em intervalos.
  • Ponto 5. Vestidos decotados. Cremos que estes são uma vergonha para a comunidade e um pecado na igreja. E todos os que as usam transgredem de forma vergonhosa o conselho do apóstolo para que “se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso” (1 Timóteo 2:9).
  • Ponto 6. Adornar o cabelo. Cremos que a limpeza e a ornamentação extravagante do cabelo, tão comum nesta época, são condenadas pelo apóstolo (1 Timóteo 2:9). E cremos que os vários frisados e lantejoulas, tal como são usados para conter as deformidades artificiais chamadas “cachoeiras”, “rodas d’água” etc., são as “testeiras” de Isaías 3:18 (margem), que Deus ameaçou tirar no dia da Sua ira.
  • Ponto 7.Defendemos que, em matéria de barbear e tingir a barba, alguns de nossos irmãos mostram uma espécie de vaidade igualmente censurável como o de algumas irmãs em adornar o cabelo. Em todos os casos, eles devem descartar todos os estilos que denotem ar de presunção. Mas, embora não tenhamos objeções ao crescimento da barba em todas as partes do rosto, como a natureza o projetou, cremos que, ao removerem parte da barba, os irmãos erram grandemente na sobriedade cristã em manter bigode ou cavanhaque.
  • Ponto 8.Cremos que não devem ser toleradas as modas exageradas dos dias de hoje, em gorros e chapéus de mulheres; mas que o objetivo principal de se prover um vestuário para a cabeça deve ser cobri-la e protegê-la.
  • Ponto 9.  Cremos que alguns tipos de “argolas são uma vergonha” (Spiritual Gifts, v. 4, p. 68). Por “argolas”, entendemos qualquer coisa do tipo, pelo qual, por causa do seu próprio tamanho ou natureza do material, a forma de se utilizar se encontra susceptível de ser exposta imodestamente (veja Êxodo 20:26).
  • Ponto 10. Roupas caras. Cremos que Paulo usa a expressão “se ataviem com modéstia” (1 Timóteo 2:9) para condenar a obtenção do material mais caro para o vestuário, seja de homens ou de mulheres, para embora esse vestuário possa ser irrepreensível em outros aspectos.
  • Ponto 11. Novas modas. Cremos que o povo de Deus deve ser tardio para adotar novas modas, de qualquer tipo que possam ser. Se determinada moda não for útil, não devemos adotá-la absolutamente. Se a moda for útil, levemos tempo suficiente para adotá-las depois que forem testadas e o entusiasmo de sua inovação tiver passado. Depois de vermos que ela é pura, modesta e conveniente, devemos ser lentos para fazer mudanças (veja Tito 2:14) [18].
  • Ponto 12. Embora condenemos o orgulho e a vaidade como estabelecidas nas resoluções anteriores, igualmente abominamos tudo que é desleixado, negligente, desarrumado e sem limpeza no vestuário ou nos bons modos [19].

Referências:

  1. Vários anos atrás, uma universidade adventista norte-americana patrocinou uma série de palestras sobre a influência metodista no adventismo. Cada palestra concentrou-se em algum tema, como saúde ou vestuário, e mostrou que o metodismo teve influência sobre as crenças e o estilo de vida adventista. A pessoa escolhida para falar sobre o vestuário se sentiu tão desconfortável ao encontrar tantos paralelos entre os escritos de Ellen White e os de Wesley que nunca chegou a proferir a palestra.
  2. Veja, por exemplo a reedição do sermão de Wesley, “On dress”, em Review and Herald, 10 de julho de 1855.
  3. Review and Herald, 22 de maio de 1866.
  4. The Light of the Home, p. 3-4.
  5. Ellen G. White, Testemunhos para a igreja, v. 4, p. 636-637.
  6. Veja Arthur White, Ellen G. White: The Aus­tralian Years, 1891-1900(Washington, DC: Review and Herald, 1983), p. 196-197.
  7. C. Fumas, The Americans: A Social History of the United States, 1587-1914 (Nova York: G. P. Putnam’s Sons, 1969), p. 18-19.
  8. A fotografia está impressa em Arthur White, Ellen G. White: The Early Elmshaven Years, 1900-1905(Washington, DC: Review and Herald, 1981).
  9. “A Female Oracle”, Minneapolis Tribune, 21 de outubro de 1888.
  10. Ellen G. White, Carta 32a, 1891.
  11. Fumas, The Americans, p. 564-569, 757-758; Robert R Roberts, “Popular Culture and Public Taste”, em: The Gilded Age, ed. H. W. Morgan, edição revista e ampliada (Syracuse, New York: Syracuse University Press, 1970), p. 285-286.
  12. Fumas, The Americans, p. 516-517; Roberts, “Popular Culture and Public Taste”, p. 286.
  13. Fumas, The Americans, p. 30, 115-117, 132-137, 183, 184. Veja também Janet Forsyth Fishburn, The Fatherhood of God and the Victorian Family(Filadélfia: Fortress Press, 1981).
  14. Veja Review and Herald, 22 de maio de 1866; Furnas, The Americans, p. 665. A combinação de bigode e cavanhaque foi popularizada por um culto à personalidade centralizada em Napoleão, imperador da França e um importante personagem na política europeia. Os adventistas podem ter reagido à associação do estilo com ele.
  15. Veja, no entanto, o argumento de Thomas Blincoe, em “The Preparation Principle”, Ministry, junho de 1988, p. 6-8. Thomas argumenta que a questão envolvida não é a quantidade de trabalho na limpeza, mas a importância da preparação para o sábado antes de sua chegada.
  16. Ellen G. White, Carta 158, 1902; Carta 263, 1905. Ambas aparecem em Manu­script Releases, v. 1, p. 394-395.
  17. Alguns adventistas talvez se lembrem da discussão sobre flores artificiais que aconteceu durante a década de 1950. Muitos argumentavam que as flores eram aceitáveis (ao contrário da posição do século 19), mas não deveriam ser usadas em reunião campais.
  18. Review and Herald,8 de maio de 1866.
  19. Item acrescentado pela assembleia da Associação Geral de 1866; publicado emReview and Herald, 22 de maio de 1866.

Gerald Wheeler, na época em que escreveu este artigo, era editor-associado de livros na Review and Herald Publishing Association. Atualmente é editor de livros na mesma editora. Ele possui graduação em inglês (Andrews University) e mestrado em biblioteconomia (Universidade de Michigan) e em Antigo Testamento (Andrews University). Wheeler é autor de um livro sobre a história da Igreja Adventista: James White: Innovator and Overcomer (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2003).

Retirado de Gerald Wheeler, “The historical basis of Adventist standards”, Ministry, outubro de 1989, p. 8-12. Disponível em: https://www.ministrymagazine.org/archive/1989/October/the-historical-basis-of-adventist-standards [Inserir hiperlink]

Para estudo mais aprofundado sobre o tema deste artigo, veja: Benjamim McArthur, “Amusing the masses”, em Gary Land, ed., The World of Ellen G. White (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1987), p. 177-191; George R. Knight, Ellen White’s World: A Fascinating Look at the Times in Which She Lived (Hagerstown, MD: Review and Herald, 1998), p. 130-140.

Referência: Danilo Meira

Como definir nosso estilo de vida [05/06]

O que vemos nesses exemplos é que a compreensão adventista inicial do certo e do errado foi fortemente condicionada pelo aspecto cultural, bem como por fatores de tempo. Devemos sempre aprender, como Ellen White o fez, como selecionar a partir da cultura o que é permanente e útil e rejeitar o efêmero e perigoso. Considere, por exemplo, o que nos referimos como as oito leis de saúde. Elas não foram criadas por Ellen White; estão presentes numa grande variedade de publicações populares daquela época. Tais artigos salientam a necessidade de ar puro, água, exercício, descanso, e assim por diante. Ellen White convocava os adventistas a adotarem essas práticas saudáveis, mas rejeitou a motivação que muitas vezes estava por trás da publicação original deles.

Durante a última parte do século 19, a população branca de classe média sentiu-se ameaçada pelo declínio na taxa de natalidade e uma crescente onda de imigração vinda do sul e leste da Europa. Eles viram o controle político sair de suas mãos. Os autores dos artigos populares sobre saúde compreendiam as oito leis de saúde como um meio de manter as mulheres brancas da classe média em boa saúde para que pudessem ter mais filhos. Eles acreditavam que o futuro da nação literalmente dependia da saúde e da fertilidade das mulheres protestantes anglo-saxãs. Os artigos eram declaradamente racistas [13]. Ellen White era capaz de aceitar a metodologia sem adotar suas pressuposições.

Ela também compartilhou muitas preocupações com o que hoje chamamos de “movimento do Evangelho Social”, como a importância de um movimento de temperança e as vantagens da vida no campo. Mas não aceitou a maioria das conclusões filosóficas desse movimento. Ela poderia responder aos aspectos positivos de sua cultura sem adotar os elementos negativos.

O fato é que o mundo mudou muito desde que nossos primeiros padrões foram estabelecidos, e inconscientemente reconhecemos esse fato pela nossa contínua mudança de várias práticas.

Os adventistas, por exemplo, não mais se preocupam com o “erro” de usar bigodes e barbichas, mesmo que a Associação Geral já tenha tomado posição oficial contra eles [14].

Outro exemplo de um padrão que muitos adventistas entendem que tenha sido alterado por mudanças na sociedade envolve a preparação para o sábado. Ellen White recomendava que se tomasse banho na sexta-feira, mas, nos lugares em que isso não envolve trabalhoso aquecimento de água em fogão a lenha, os adventistas não veem erro algum em tomar banho na manhã de sábado [15]. A ordem específica já não parece ser relevante no mundo ocidental modernizado, embora o princípio absoluto da santidade do sábado e sua observância permaneçam eternos.

A Associação Geral e outras instituições adventistas agora possuem carros e motoristas para o transporte dos visitantes. Mas, em 1902, quando o administrador de um hospital adventista perguntou se a sua instituição deveria obter um automóvel para levar e trazer os pacientes da estação de trem, Ellen White escreveu: “Meu irmão, não faça tal compra”. Ela viu isso como o estabelecimento de um comportamento irresponsável. Contudo, três anos depois, ela andava de carro da estação de trem para um hospital e expressou seu prazer em viajar de automóvel. Em apenas três anos, a situação aparentemente havia mudado [16]. O que era um hábito extravagante rapidamente se tornou uma necessidade.

Todos esses são exemplos de mudanças do estilo de vida adventista que acompanham as circunstâncias.

Como os amish, precisamos de um estilo de vida que nos dê uma identidade, que nos una como povo. Mas ele deve ser uma cerca que proteja o rebanho de Deus, e não uma barreira que exclui da sociedade ou nos separa em facções hostis. Nosso estilo de vida deve se basear em princípios bíblicos que atendam a todos os tempos e culturas, em vez de simplesmente se opor a certas práticas norte-americanas vitorianas do século 19. E devemos reconhecer que uma prática que é um perigo simbólico num contexto cultural pode perder importância com o tempo, à medida que o contexto cultural é transformado. Uma flor artificial que representa status de classe em um tempo e lugar pode ser nada mais que uma decoração inofensiva em outro [17].

Se não estabelecermos um conjunto apropriado de tais normais, que seja sensível às mudanças de acordo com as condições, poderemos nos tornar nada mais que uma curiosidade histórica, como os amish.

Referência: Danilo Meira

Evitando a percepção de classe [04/06]

Em um livro fascinante intitulado The Light of the Home: An Intimate View of the Lives of Women in Victorian America (A luz do lar: uma visão íntima da vida das mulheres na América vitoriana), Harvey Green e E. Mary Perry comparam o comportamento e os padrões das classes mais baixas, média e alta em uma série de tendências que estavam remodelando a sociedade norte-americana do século 19. Muitas dessas tendências envolvem a urgência com que os norte-americanos queriam ser reconhecidos como parte da classe média emergente. E, nessa luta por reconhecimento, podemos ver a origem de certos padrões adventistas.

Os adventistas norte-americanos do século 19 eram tentados a adotar cada nova moda e fazer tudo o que podiam para se identificar com a classe média. Nos pontos em que Green e Perry discutem temas específicos sobre os quais Ellen White escreveu, é significativo que a atitude da Sra. White normalmente se posicionava ora na classe baixa ora na classe alta, ou quase sempre se posicionava contra a atitude de classe média. Por quê? Talvez porque ela temesse que os adventistas, por entusiasmo de subir a bordo do movimento da classe média, perdessem sua identidade e eficácia especial.

Isso explica por que Ellen White foi contra as bicicletas quando eram um símbolo caro de identificação com a classe média, mas, quando se tornou um meio de transporte pessoal, deixou de advertir contra elas. Aparentemente Ellen White estava preocupada em proteger a identidade adventista, evitando a vaidade e o desperdício de dinheiro. Mas, como o papel da bicicleta na sociedade mudou, a reação dela também mudou.

Da mesma forma, a Sra. White foi contra o espartilho por razões de saúde e porque ele era visto como símbolo de riqueza e aristocracia. Qualquer mulher, ao usar esse vestuário, limitava-se fisicamente. Além disso, tinha um marido com dinheiro suficiente para contratar funcionários para fazer o trabalho doméstico que ela não podia fazer [4].

Em determinada época, Ellen White propôs um estilo de vestuário das mulheres como mais saudável e como forma de protesto contra o poder do orgulho de classe e da vaidade pessoal. Mas sua reforma do vestuário não é relevante hoje, porque já não simboliza um protesto contra o estilo insalubre e socialmente arrogante. Posteriormente, Ellen White declarou que o vestuário não devia ser um teste de comunhão, ou seja, uma exigência para ser membro da igreja [5]. Ao tomar tal posição, ela contrariou o conceito adventista inicial de que tudo na vida era um teste.

Os adventistas, como outros grupos conservadores, se opunham a tudo o que tivesse origem pagã. Por exemplo, evitavam chamar os dias da semana pelo nome porque os nomes foram derivados de deuses pagãos. [Isso se aplica aos nomes em inglês. Por exemplo: segunda-feira é Monday, “dia da (deusa) Lua”; quinta-feira é Thurday, “dia de Thor”, um  deus nórdico.] Por muitos anos o periódico oficial da igreja, Review and Her­ald, se referiu aos dias da semana como “primeiro dia”, “segundo dia” etc. Atualmente, a origem pagã dos nomes dos dias da semana é apenas uma curiosidade cultural. Poucos veriam isso como uma ameaça à identidade cristã ou adventista.

Não usar aliança de casamento também já foi um símbolo de identificação com a Igreja Adventista nos Estados Unidos. Essa era uma etapa preparatória para o batismo. No entanto, quer queiramos ou não, a revolução sexual dos anos 70 e a tolerância da sociedade à promiscuidade removeram essa proibição simbólica. Com isso, foi reafirmado o simbolismo muito mais antigo da aliança como indicação de compromisso conjugal.

O fato de que a proibição da aliança nunca foi uma norma adventista mundial também é significativo para a nossa compreensão do estilo de vida adventista. A australiana May Lacey, quando se casou com William, filho de Ellen White, usou aliança em seu casamento por causa do simbolismo que tinha em seu país. E Ellen apoiou a decisão da nora. Mas, quando foi viver nos Estados Unidos, May White parou de usar aliança, pois tinha se mudado de uma cultura que a usava como símbolo de compromisso, para outra em que muitos não a usavam e nem identificavam isso com a fé adventista [6].

Na América vitoriana, a “simples e pesada” aliança de casamento era o símbolo de reconhecimento do casamento na classe média. Os homens geralmente não usavam aliança [7]. É provável que parte do motivo para a posição de Ellen White era que os adventistas evitassem as armadilhas de status da classe média.

Em 1905, a Sra. White posou para um retrato de família, que incluiu sua neta Ella White Robinson. Ella estava ao lado do marido e usava uma corrente de metal no pescoço, bem como uma corrente de relógio pesada no colete [8]. Oito anos mais tarde, a Sra. White novamente posou com sua neta. Desta vez, Ella estava usando várias vertentes de um colar de concha que, segundo Alta Robinson (cunhada de Ella e membro da equipe do Patrimônio Literário de Ellen G. White), a própria Ellen White tinha trazido para sua neta como presente das ilhas do Havaí. Contudo, ainda mais interessante é que, segundo uma testemunha ocular contemporânea da Sra. White, ao  falar na assembleia de 1888, em Mineápolis  ela usava “um vestido preto em linha reta, sem nada para quebrar a sobriedade, salvo um colar branco minúsculo em seu pescoço e uma pesada corrente metálica que pendia suspenso perto de sua cintura” [9]. Essa corrente sem dúvida era um acessório, um elemento puramente decorativo de seu traje. Em outras palavras, um item de adorno.

Uma análise das fotografias de Ellen White revela que ela gostava de usar pinos e broches. Veja, por exemplo, o artigo “Heirloom: Leaves From Ellen White’s Family Album” (Heirloom: páginas do álbum da família de Ellen White), na edição de primavera de 1982 da revista Adventist Heritage. Ela usava pinos sobre seu vestido ou para fixar juntos o seu colar. Quando visitou o Havaí, uma mulher lhe deu material de seda, um lenço de seda e um pino de pedras brancas que custavam 10 dólares, um bom pagamento de uma semana na época. A primeira reação de Ellen White foi não aceitar os presentes, mas, vendo que isso iria decepcionar a mulher, ela tomou e usou depois. Repetindo a perspectiva de John Wesley, ela escreveu que era “muito simples e útil” e “nem um pouco pomposo” [10]. Para Ellen White, simplicidade e modéstia não excluía adorno, se tal adorno não apelasse para a vaidade pessoal ou percepção de classe.

Ellen-G.White-and-her-family-in-1913_Outro padrão que tem sido fortemente mantido pelos adventistas, pelo menos até recentemente, tem a ver com o teatro. Ellen White tem algumas declarações pesadas sobre teatros, e ela parece ser contrária ao drama sério. Mas é preciso considerar o contexto histórico de sua oposição. O drama sério, como nós conhecemos hoje, simplesmente não existia nos Estados Unidos do século 19. O teatro consistia de peças melodramáticas intercaladas com “um primeiro ato, precedido e seguido de partes com animações, nas quais geralmente mulheres usavam calções curtos e mostravam licenciosidade e palhaçadas”. Sempre que possível, os produtores das peças traziam muitas mulheres que vestiam calças apertadas ou outro tipo de roupa mínima. Um ator britânico disse que, no teatro norte-americano, “a modéstia não parece ser uma qualidade necessária em uma atriz”.

Teatros eram geralmente agrupados entre salões de bilhar, bares “e outros refúgios para os libertinos e desocupados”. O público muitas vezes consistia de arruaceiros de rua e prostitutas e outros clientes em potencial. Assim, o teatro tinha uma merecida reputação ruim. Não foi até o fim do século 19 que peças começaram a ser apresentadas sem as atrações musicais e outros atos [11].

Outra forma importante do teatro era o menestrel que mostrava atores brancos com rostos pintados de preto apresentando estereótipos raciais cruéis. Eles eram tão populares que um drama sério não poderia competir com eles [12].

Levando esses fatores em consideração, parece-me que seria errado descartar categoricamente a leitura ou a encenação do drama sério sem considerar o contexto histórico e entender por que os primeiros adventistas eram contra o teatro.

Referência: Danilo Meira

Contexto histórico do estilo de vida adventista [03/06]

Ellen White e outros líderes trouxeram para dentro do movimento adventista uma abordagem ao estilo de vida baseado nos escritos de John Wesley e de outros grupos religiosos conservadores [1]. Wesley e os primeiros metodistas opuseram-se ao estilo de ostentação das classes ricas. Homens e mulheres das classes mais altas deviam se vestir de determinada maneira que se encaixasse em sua posição social.

A maioria dos metodistas vinha das classes mais baixas e via as roupas e joias caras como uma indicação de vaidade, autoindulgência e mundanismo. Wesley advertia seus seguidores a se vestirem com trajes mais simples e a não “imitarem os homens ricos”. Visto que o estilo de cabelo era parte da moda das classes mais abastadas, os homens metodistas penteavam o cabelo para baixo, sobre as suas testas, no que veio a ser conhecido como a “moda metodista”.

Simplicidade e modéstia proporcionaram aos metodistas uma identidade clara e definida, entre eles mesmos e na sociedade em geral. Além disso, o metodismo procurou encontrar apoio bíblico para a sua autoidentidade. Eles citavam passagens como 1 Pedro 3:3, 1 Timóteo 2:8-9, Tiago 4:4 e 1 João 2:15.

Os fundadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia ecoaram essa visão, reimprimindo os sermões de Wesley sobre o tema no periódico Review and Herald [2]. Os adventistas poderiam se identificar com a compreensão metodista, já que compartilhavam muitas das mesmas preocupações e também vinham em grande parte das classes socioeconômicas mais baixas.

Como os metodistas, os primeiros adventistas procuravam descobrir na Bíblia a vontade de Deus para eles e para seu estilo de vida. Mas deram seu toque pessoal para as descobertas. Eles consideravam a vida presente como uma série contínua e interminável de testes pelos quais que cada cristão deve passar. Por exemplo, eles viam a parábola das dez virgens como um exemplo de um desses testes, permitindo que as cinco virgens prudentes avançassem para o próximo teste. Era uma abordagem orientada ao indivíduo e considerava a vida como um constante processo de aperfeiçoamento. Apenas alguns poucos chegariam ao Céu.

Em 30 de abril de 1866, a igreja de Battle Creek (Michigan) adotou uma série de resoluções sobre vestuário. Poucos dias depois, a Comissão da Associação Geral expressou a opinião de que a obra de Adoniram Judson, missionário para a Birmânia, intitulado A Letter to the Women of America on Dress (Uma carta para as mulheres americanas, sobre o vestuário), era uma “admirável exposição bíblica sobre o assunto”. Essa comissão  pediu à editora adventista, a Review and Herald, “para anexar estas [da igreja de Battle Creek] resoluções ao estudo de Judson sobre vestuário” [3].

Os adventistas do século 21 podem achar difícil concluir que os textos citados por Judson e os irmãos de Battle Creek abordam vários dos itens e práticas a que os primeiros adventistas se opunham. Os leitores modernos interpretariam as passagens bíblicas de forma diferente. Todavia, para esses pioneiros, as Escrituras realmente falavam de maneira clara sobre o erro quanto a usar joias feitas de borracha e de cabelo humano, certos penteados e redes de cabelo, bem como usar bigode ou cavanhaque.

Referência: Danilo Meira